Portfolio de Ricardo Golbspan
terça-feira, 19 de maio de 2009
Novo site: Quatrum English Schools
Desta forma, juntamente com a agência que atende a empresa, desenvolvemos um novo layout para o site da escola, com um blog muito mais relevante, feito para tratar de conteúdos e assuntos do cotidiano dos alunos. O restante do site ficou muito mais claro e funcional, atendendo à necessidade da escola e às novas idéias em marketing via web.
O site é este:
www.quatrum.com.br
Além da idealização do projeto em conjunto com a agência, os textos são de minha autoria.
Interrogatório
-Na varanda.
-Na varanda?
-Na varanda.
-Hehe. Varanda...
-Palavra engraçada né?
Hoje, são grandes amigos.
Perdido
que eu queria
tantos planos
que nem chegam no papel
Só queria carregar
um bloquinho
comigo
e anotar
Mas onde escrevo
que é disso
que eu tenho que lembrar?
Origens
Obs. Este texto é uma releitura do conto de Nicolau Sevcenko
Há alguns milhares de anos o mundo era dominado por gigantes. Na verdade, eles não se consideravam gigantes, porque não existiam os homens ainda. Eles eram normais. E, como eu disse, dominavam o mundo. Eram muito fortes, apesar da inteligência discreta, e, usando suas espadas, haviam subjugado as outras espécies e toda a natureza. Habitavam a região da atual França, que na época era o mundo todo. O resto era mar, incerteza e trevas. Na verdade, essas trevas só teriam fim com a chegada do Sol, séculos depois, na forma de Luís XIV.
Mas deixemos de lado o que aconteceu depois, porque o que interessa se passou naqueles tempos distintos e esquecidos.
Foi quando Ultrecht, um simples vendedor de baleias da aldeia, encontrou o primeiro humano, que as coisas começaram a mudar. O humano apareceu no bosque, feliz e dançante. Sua felicidade incomodou Ultrecht, que levava uma vida sem graça e que não tirava férias há quatro anos, se ele não se enganava. Então, o humilde negociante, embriagado de amargura, resolveu eliminar aquela figura tão alegre e provocante. Até porque com os gigantes, que na verdade tinham tamanhos normais, era assim, sem muito papo.
Ultrecht desferiu um golpe seco, na vertical, cortando o pequeno humano pela metade. Mas qual não foi a surpresa do gigante ao ver que o homem, ao invés de morto, havia se dividido. Ou se multiplicado? A verdade é que ele havia virado dois. Ultrecht, ainda mais nervoso, continuou cortando ao meio os homens, e cada vez mais eles se multiplicavam. Outros gigantes chegaram para ajudar o pescador, mas só pioraram as coisas.
Em pouco tempo, o número de humanos era tão grande que eles conseguiram encurralar os gigantes na famosa caverna de Cro-Magnon, onde se encontram (ou melhor, se escondem) até hoje, camuflando-se de pedras quando aparecem historiadores e turistas.
Os humanos, para comemorar a vitória, fizeram um grande banquete, com direito a muito croissant, champignon e carne de baleia. Mas a festa foi um fracasso. À mesa, sentados lado a lado, estavam canhotos e destros. As metades que haviam sido cortadas tinham cada uma sua preferência. O lado direito virara destro e o esquerdo, canhoto. E isso fez com que os convidados batessem seus cotovelos entre si, ficando impossível comer sem incomodar o vizinho. A discórdia estava imposta. Os canhotos foram para um lado da mesa e os destros para o outro. E o clima subitamente esquentou. Os destros acusaram os canhotos de ter comido mais croissant e carne de baleia do que deveriam, obrigando-os a exagerar no champignon, que, como se sabia, causava dor de barriga quando ingerido em excesso.
Ultrajados, os canhotos declararam guerra.
Assim, por anos, os rivais se enfrentaram, até que o sábio Ed Reito, um contador de histórias destro, teve uma idéia, prontamente aprovada pelo ditador (que, lógico, era de extrema direita) e colocada em prática.
À noite, alguns destros foram até a beira do precipício e lá colocaram inúmeros espelhos. Ao amanhecer, os guerreiros canhotos que passavam por ali não tinham dúvidas: viam seus reflexos, mas, pensando serem guerreiros destros, os atacavam com toda a força, quebrando os espelhos e caindo ladeira abaixo. Aos destros, provocava risadas e vários ip-ip-urras cada queda de canhoto. Os canhotos, mesmo assim, não se renderam em pouco tempo e muitos espelhos foram quebrados até que a desistência se tornasse inevitável.
Graças às mortes de tantos canhotos que hoje a maioria das pessoas é destra. E graças a tanto espelho quebrado que hoje somos tão azarados.













